Pix internacional: 5 maneiras do MEI faturar sem complicação

Vender para clientes fora do Brasil é uma excelente forma de aumentar o faturamento do seu MEI.

Com a tecnologia e as fintechs, já dá para receber pagamentos rápidos e gastar menos com tarifas e burocracia — inclusive usando caminhos que terminam em Pix. Neste post eu explico cinco maneiras práticas para o MEI faturar do exterior sem complicação, como precificar, emitir nota e reduzir custos cambiais e fiscais.

Por que pensar em Pix internacional (ou soluções que desembocam no Pix)

Pix é rápido, barato e está presente na conta corrente do seu cliente no Brasil. Para o MEI isso significa receber o dinheiro disponível logo e ter menos dor de cabeça com compensação. O termo “Pix internacional” ainda é usado de forma ampla: na prática, a maioria das operações internacionais passa por um serviço de câmbio ou plataforma estrangeira que, depois, converte o valor e deposita em uma conta brasileira — onde você usa o Pix para movimentar a quantia. O importante é conhecer as rotas, escolher a mais barata e seguir as regras fiscais.

Antes de começar: checklist rápido para o MEI

– Confirme se você ainda está dentro do limite de faturamento do MEI (verifique o teto anual atual). – Separe vendas por exportação de serviços (cliente no exterior) ou venda de produtos (envio físico). A forma de emitir nota e tributar pode mudar. – Tenha contrato ou comprovante de prestação de serviços em inglês/português com dados do cliente. – Consulte um contador quando tiver dúvidas sobre ISS, impostos ou declaração anual.

1) Receber via remessa internacional que paga em conta brasileira (e usar Pix para sacar rápido)

Como funciona: seu cliente paga em dólar/euro para uma conta da remessa internacional (empresa de câmbio). A empresa converte e deposita em reais na sua conta no Brasil — muitas vezes direto em conta corrente ou em carteira digital. Depois você usa o Pix para transferir para outra conta ou pagar fornecedores.

Por que funciona para MEI: é simples, seguro e evita que você abra conta no exterior. As fintechs de remessa cobram taxa + spread de câmbio. Compare: algumas oferecem tarifas baixas e taxa de câmbio próxima ao comercial.

Como reduzir custos: – Peça ao cliente para pagar as taxas de envio, quando possível. – Compare 2–3 plataformas antes de aceitar a proposta do cliente. – Calcule o preço final incluindo spread e IOF (quando aplicável).

Exemplo prático: Joana cobra US$ 200 por um serviço. A remessa cobra 1% + spread de 3% sobre o câmbio. Se o dólar comercial está R$5,00, o custo total será: US$200 × R$5,00 = R$1.000; spread 3% = R$30; taxa 1% = R$10. Joana cobra R$1.050 ao converter para BRL (ou aumenta preço em dólar para cobrir tudo).

2) Usar marketplaces ou plataformas com embedded finance (marketplaces que pagam direto em BRL)

Como funciona: plataformas como marketplaces internacionais ou plataformas de freelancing podem pagar o vendedor através de parceiros locais que fazem a conversão e depositam em reais. Essas plataformas estão cada vez mais oferecendo soluções de pagamento integradas (embedded finance), reduzindo intermediários.

Por que é bom: menos trabalho operacional para você — o marketplace cuida da cobrança, conversão e repasse. Além disso, algumas plataformas pagam em prazos curtos.

Como aproveitar: – Escolha marketplaces que paguem em BRL ou que tenham opção de repasse para contas brasileiras via parceiro local. – Verifique taxas de comissão e de câmbio da plataforma. – Leia as políticas de proteção ao vendedor para evitar chargebacks.

Exemplo: vender em um marketplace que retém 10% de comissão, mas paga em BRL em 3 dias pode ser mais vantajoso do que receber em USD e fazer várias conversões.

3) Conta internacional + conversão automática para Pix (contas “globais” de bancos digitais)

Como funciona: bancos digitais oferecem contas em moeda estrangeira (ex.: conta em USD/EUR). Você recebe do cliente para essa conta internacional. Quando quiser, converte para BRL dentro do próprio app e recebe via transferência bancária que você usa o Pix para movimentar.

Vantagens: controle direto sobre quando converter (escolhe melhor momento do câmbio) e praticidade dentro do mesmo app.

Cuidados: – Veja taxas de conversão e o spread aplicado. – Verifique se o banco aceita receber pagamentos internacionais sem bloqueios. – Confirme prazos de liberação da remessa.

Dica prática: se o volume for pequeno e regular, programar conversões mensais pode reduzir custos em comparação com conversões avulsas para cada venda.

4) Receber via gateways que integram FedNow / RTP (para clientes nos EUA) e repassar para Pix via parceiro

Como funciona: empresas nos EUA usam sistemas instantâneos como FedNow ou RTP para enviar pagamentos. Plataformas de pagamento especializadas recebem esses fundos e fazem a conversão para reais,.depositando em conta brasileira. Para o MEI, é uma rota rápida para liquidar pagamento em poucas horas.

Quando usar: se seus clientes forem empresas nos EUA que já usam pagamentos instantâneos, essa rota pode reduzir prazos. Para o MEI, depende de ter um parceiro de pagamentos que aceite essa integração.

O que observar: – Nem toda fintech que trabalha com FedNow repassa automaticamente ao Pix. Confirme a cadeia de pagamento. – Compare o custo total (taxa + spread) com alternativas tradicionais.

5) Receber em cripto (stablecoins) e converter para BRL via exchange com payout em Pix

Como funciona: o cliente paga em stablecoin (USD Coin, por exemplo). Você transfere a stablecoin para uma exchange Brasileira ou internacional que ofereça saque para conta em reais via Pix. A exchange converte e libera em BRL.

Vantagens: taxas baixas e rapidez em algumas rotas. Stablecoins tem menos volatilidade que outras criptomoedas.

Riscos e cuidados: – Volatilidade, questões regulatórias e custo de retirada. – Exchanges brasileiras pedem verificação (KYC) e podem cobrar fees e spread. – Registro fiscal: todo recebimento deve ser declarado e pode ser alvo de fiscalização. Guarde recibos.

Exemplo prático: Carlos recebe USDC 100. Converte em exchange que cobra 1% de taxa e tem spread de 2% na conversão. Ele receberá aproximadamente R$ (US$100 × câmbio) menos 3% de custos antes de cair em conta via Pix.

Como precificar para vendas no exterior sem perder margem

1. Calcule o custo total: preço que você quer receber + taxas da plataforma/remessa + spread de câmbio + IOF (se houver) + custo de emissão de nota e contabilidade. 2. Defina se vai cobrar em moeda estrangeira (US$/€) ou em BRL. Cobrar em moeda estrangeira transfere risco cambial para o cliente. 3. Adicione uma margem de segurança de 5–10% para flutuação do câmbio e imprevistos. 4. Seja transparente: informe que taxas de conversão e transferências podem ser adicionadas ou peça que o cliente pague as taxas.

Fórmula simples: Preço final (BRL) = (Preço em USD × câmbio comercial) × (1 + spread) + taxa fixa.

Exemplo numérico: serviço US$100; câmbio R$5,00; spread 3% (+IOF 0,38% se aplicável); taxa fixa R$10. Preço base = US$100 × R$5,00 = R$500 Spread = R$15 IOF aproximado = R$1,90 Total = R$500 + R$15 + R$1,90 + R$10 = R$526,90 → arredonde para R$535 para segurança.

Emitir nota e obrigações fiscais (o básico que o MEI precisa saber)

– Serviço para cliente no exterior normalmente é classificado como “exportação de serviços” — em muitos casos há isenção de ISS, mas as regras mudam por município. Consulte seu contador. – Para serviços: emita NFS-e (nota de serviço eletrônica) informando que o tomador é no exterior e guarde contrato/comprovantes de pagamento em moeda estrangeira. – Para venda de produtos: pode ser necessário emitir NF-e e seguir regras de exportação, inclusive emissão de documentação aduaneira se houver envio físico. – Declare tudo na sua declaração anual do MEI. O faturamento em moeda estrangeira deve ser convertido e lançado em reais.

Recomendação: mantenha um arquivo organizado (contratos, comprovantes de pagamento, conversões) e fale com um contador quando ultrapassar limites ou surgir dúvida.

Evitar armadilhas cambiais e impostos escondidos

– Não aceite a primeira oferta de conversão sem comparar. – Cuidado com plataformas que prometem “zero taxa” e escondem um spread alto no câmbio. – Negocie quem paga as taxas: cliente pode assumir parte das despesas. – Guarde comprovantes: em caso de fiscalização, prova de exportação e de recebimento em moeda estrangeira ajuda.

Exemplo de caso real simplificado

Maria é MEI e vende serviços de edição de vídeo para clientes na Alemanha. Ela recebeu uma proposta de €300. Maria falou com o cliente e combinou receber via plataforma de remessa que converte para BRL e deposita em conta em até 2 dias. Ela calculou custos: spread 3%, taxa fixa de R$20, IOF aproximado. Baseada nisso, cobrou €330 para cobrir custos e ainda manter margem. Em seguida, emitiu NFS-e como serviço exportado e guardou o contrato e os comprovantes.

Conclusão e próximo passo

Vender para o exterior como MEI é totalmente possível e pode ser simples se você escolher a rota certa: remessa que paga em conta BRL, marketplaces com embedded finance, contas globais de bancos digitais, integração com sistemas instantâneos dos EUA ou até cripto com cuidado. O segredo é calcular bem o preço incluindo taxas e spread, emitir a nota correta e guardar toda a documentação.

CTA: Está começando a vender fora do Brasil? Comente abaixo qual rota você pretende testar — remessa, marketplace, conta global ou cripto — e eu te dou um roteiro prático para os primeiros passos. Se quiser, baixe nossa checklist (gratuita) para receber do exterior: passo a passo de precificação, documentos e emissão de nota para MEI.

Olivia Cristina

Olivia Cristina

Olivia Cristina é redatora especializada em finanças pessoais e educação financeira. Apaixonada por simplificar temas como crédito, benefícios sociais e planejamento financeiro, ajuda milhares de brasileiros a tomarem decisões mais inteligentes com seu dinheiro.